Quanto custa (de verdade) a portaria tradicional? O cálculo que poucos síndicos fazem
Todo síndico sabe quanto paga de salário ao porteiro. Poucos sabem quanto o condomínio realmente gasta para manter uma portaria 24 horas por dia, 7 dias por semana, o ano inteiro.
A diferença entre essas duas contas costuma ser a maior surpresa na hora de comparar portaria tradicional com portaria virtual.
O que entra na conta (e o que normalmente fica de fora)
Quando o assunto é custo de portaria, a maioria das planilhas de condomínio considera apenas o salário base. Mas uma portaria presencial 24/7 exige bem mais do que isso:
- Salário normativo da categoria, definido por convenção coletiva regional.
- Encargos trabalhistas obrigatórios: FGTS, INSS patronal, 13º salário, férias + 1/3 constitucional.
- Benefícios previstos em convenção: vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, assistência médica/odontológica em alguns sindicatos.
- Cobertura de folgas, férias e afastamentos: na escala 12×36, cobrir 24h/dia exige uma equipe de 4 porteiros (2 diurnos + 2 noturnos, cada dupla se revezando) — e mesmo assim, cobrir férias e atestados sem furos normalmente exige um substituto adicional (ou hora extra).
- Turnover e retreinamento: cada substituição gera custo de rescisão, aviso prévio, seleção e curva de aprendizado do novo funcionário.
O que os dados mostram sobre o piso salarial
Os pisos salariais de porteiro são definidos por convenção coletiva de trabalho (CCT), variam por estado e são reajustados anualmente. Alguns exemplos vigentes em 2026:
| Base territorial | Piso salarial vigente | Fonte |
|---|---|---|
| Belo Horizonte e RMBH (Betim, Contagem, Nova Lima, Sabará e demais municípios abrangidos) | R$ 2.173,33 — categoria “Porteiro; Vigia; Controlador de Acesso e Controlador de Piso” | Convenção Coletiva de Trabalho SINDEAC × SINDICON-MG 2025/2026, registrada no Ministério do Trabalho e Emprego (Mediador MTE nº MG003256/2025, registro em 09/09/2025), vigência 01/09/2025 a 31/08/2026 |
| São Paulo (capital) | R$ 2.031,57 | Dissídio SP 2026, citado por Primebid/Empresas de Terceirização |
| Grande Rio / Baixada / Lagos (RJ) | R$ 2.050,71 | Convenção Coletiva SECOVI-Rio 2026/2027 |
| Categoria condomínios (SETHBR/SP interior) | R$ 2.096,09 | Sindicato Sethbr, campanha salarial 2025-2026 |
Importante: o valor de Belo Horizonte é o piso normativo oficial, registrado no MTE, específico para a categoria de porteiros em condomínios (não é uma média de mercado). Ele resultou de um reajuste de 7,51% sobre o piso da convenção anterior (R$ 2.021,51, vigente em 2024/2025). O valor efetivo pago por um condomínio real pode ser maior que o piso — deve ser confirmado na folha de pagamento e no enquadramento sindical de cada empregado (a mesma convenção prevê pisos diferentes para zelador/encarregado, garagista, manobrista e ascensorista).
O cálculo completo: uma equipe de 4 porteiros (2 diurnos + 2 noturnos)
Para cobrir 24 horas por dia com a escala 12×36, o modelo mais comum é 2 porteiros diurnos e 2 noturnos, cada dupla se revezando. Veja o custo real, provisionando cada item — não apenas o salário nominal:
Porteiro diurno (turno sem adicional noturno):
| Componente | Valor mensal |
|---|---|
| Salário base (piso oficial CCT) | R$ 2.173,33 |
| Encargos previdenciários e FGTS (INSS 20% + RAT ~2% + terceiros 4,5% + FGTS 8%) | R$ 749,80 |
| Provisão de 13º, férias e 1/3 constitucional (+ FGTS sobre elas) | R$ 456,40 |
| Reincidência dos encargos sobre 13º/férias | R$ 111,99 |
| Ticket alimentação + assistência médica/odontológica (PAF) + formação profissional + seguro de vida | R$ 473,49 |
| Vale-transporte (líquido, estimado) | R$ 57,10 |
| Intervalo intrajornada não usufruído (1h/turno, se o porteiro não sai do posto) | R$ 251,86 |
| Total por porteiro diurno | ≈ R$ 4.274/mês |
Porteiro noturno (mesmo pacote, mais o adicional noturno de 30% sobre as horas na janela das 22h às 5h, que também eleva a base de cálculo dos encargos):
| Componente | Valor mensal |
|---|---|
| Salário + adicional noturno | R$ 2.528,97 |
| Encargos previdenciários e FGTS | R$ 872,49 |
| Provisão de 13º, férias e 1/3 (+ FGTS) | R$ 531,09 |
| Reincidência dos encargos | R$ 130,31 |
| Benefícios (ticket, PAF, PROFPS, seguro de vida) | R$ 473,49 |
| Vale-transporte (estimado) | R$ 57,10 |
| Intervalo intrajornada não usufruído | R$ 251,86 |
| Total por porteiro noturno | ≈ R$ 4.845/mês |
Total da equipe de 4 (2 diurnos + 2 noturnos), sem cobertura de férias: ≈ R$ 18.238/mês.
E quem cobre as férias?
Cada porteiro tira 30 dias de férias por ano — e durante esse período, alguém precisa cobrir o turno. Há duas formas de resolver isso, com custos bem diferentes:
- Pagar “dobra” (hora extra em dia de folga) a outro colaborador da equipe, conforme previsto na CCT (acréscimo de 100% sobre a hora trabalhada em dia de repouso): para 4 porteiros, isso soma ~60 turnos extras por ano, a um custo diluído de ≈ R$ 1.185/mês.
- Contratar um 5º porteiro “coringa”, treinado para cobrir qualquer turno: custo fixo de ≈ R$ 4.560/mês — mais caro, mas reduz a dependência de hora extra e também cobre atestados e faltas, não só férias.
| Cenário | Custo mensal da equipe |
|---|---|
| 4 porteiros (diurno + noturno), sem cobertura de férias | R$ 18.238 |
| + cobertura via hora extra diluída | ≈ R$ 19.423/mês |
| + 5º porteiro coringa fixo | ≈ R$ 22.798/mês |
O que esse número não inclui: turnover (rescisão, aviso prévio, seleção e curva de aprendizado a cada substituição) e o risco jurídico de depender de hora extra frequente em uma função que já opera em regime 12×36.
Premissas que dependem de dados específicos do seu condomínio (e por isso ficam de fora do que posso confirmar como fato): o horário exato do turno noturno (usei 19h-7h, com 7 horas na janela de adicional noturno), o RAT/FAP real do condomínio, o prêmio efetivo do seguro de vida contratado, o trajeto real de vale-transporte de cada funcionário e se o intervalo intrajornada é ou não efetivamente gozado. O piso salarial, o valor do ticket alimentação, da assistência médica (PAF) e da formação profissional (PROFPS) são valores fixos e confirmados na convenção coletiva vigente.
A portaria virtual muda essa equação
A portaria virtual substitui o posto físico por uma central remota que monitora e libera acessos por vídeo, interfone IP e aplicativo — operando 24 horas por dia sem os custos de cobertura de folga, rescisão e turnover de uma equipe própria no local.
Na V-Guard, essa central atende hoje mais de 140 portarias diretamente e mais de 300 através da Gdel Tecnologia, com mais de 150 mil interações mensais e tempo de resposta abaixo de 8 segundos por chamado.
Antes de decidir, faça essas três perguntas
- Qual é o custo total mensal real da sua portaria hoje — incluindo encargos, benefícios e cobertura de folgas — e não apenas o salário base?
- Quantos incidentes de falha humana (porteiro dormindo, distraído, ausente do posto) o condomínio já registrou nos últimos 12 meses?
- O modelo atual escala se o condomínio crescer, ganhar novas torres ou precisar de cobertura em mais de um ponto de acesso?
Se a resposta a qualquer uma dessas perguntas te deixou incomodado, vale a pena colocar as duas contas lado a lado — a que você paga hoje e a que a portaria virtual oferece.
Quer ver o comparativo aplicado ao seu condomínio? Solicite um orçamento e mostramos o cálculo com os números reais da sua operação.
Fontes consultadas
- Convenção Coletiva de Trabalho SINDEAC × SINDICON-MG 2025/2026 — registrada no Ministério do Trabalho e Emprego, Sistema Mediador, nº MG003256/2025 (registro em 09/09/2025), vigência 01/09/2025 a 31/08/2026. Fonte primária do piso salarial, ticket alimentação, PAF, PROFPS, seguro de vida obrigatório e regras do adicional noturno.
- Prefeitura de Belo Horizonte (SUMOB) — tarifas de ônibus vigentes desde 1º/1/2026, usadas na estimativa de vale-transporte.
- Convenção Coletiva de Trabalho SECOVI-Rio / Sindicato Laboral, 2026/2027 (piso salarial RJ, comparação)
- Sindicato Sethbr — Campanha Salarial 2025-2026 (comparação)
- Dados internos V-Guard (cobertura de portarias, volume de interações mensais, SLA de resposta)
Nota de transparência: o piso salarial, os valores de ticket alimentação, PAF e PROFPS e a alíquota de INSS/FGTS são dados oficiais (lei ou CCT). O RAT, o prêmio do seguro de vida, o horário do turno noturno usado no cálculo e o trajeto de vale-transporte são estimativas de mercado, sinalizadas como tal — cada condomínio deve confirmar os valores exatos com sua contabilidade antes de tomar decisões financeiras.